Ministério Público pretende ouvir os 10 agentes com mais notas frias.
Depoimentos serão prestados entre esta terça (19) e quarta-feira (20).

Do G1 RS

O Ministério Público do Rio Grande do Sul começa a ouvir nesta terça-feira (19) agentes penitenciários investigados por fazer parte de um esquema que apresenta notas fiscais falsas para receber diárias. Em um ano, teriam sido embolsados mais de R$ 1,6 milhões de forma irregular.

Em abril deste ano, uma operação da promotoria criminal cumpriu mandados de busca em quatro hotéis suspeitos de vender até notas em branco. Depois, o chefe do setor da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) responsável pelo monitoramento eletrônico de presos, onde trabalham os investigados, foi afastado do cargo.

A promotoria do MP espera ouvir até quarta-feira (20) os 10 agentes penitenciários que apresentam o maior número de comprovantes frios.

O vídeo:

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/05/agentes-investigados-por-falsificar-notas-comecam-ser-ouvidos-no-rs.html

Entenda o esquema
Denunciado ao MP por um ex-corregedor da superintendência, o esquema envolve agentes responsáveis por fiscalizar os presos do regime semiaberto, que usam tornozeleiras eletrônicas. Mesmo morando em Porto Alegre, eles recebiam diárias como se residissem no interior do estado. Juntos, teriam apresentado à Susepe mais de 700 notas fiscais frias.

Os quatro hotéis são suspeitos de fornecer as notas fiscais falsas para os agentes penitenciários. Acompanhado de policiais, o promotor Flávio Duarte vasculhou gavetas e armários e apreendeu documentos no dia 9 de abril.

Lotada em Charqueadas, na Região Metropolitana, uma agente penitenciária recebeu no ano passado mais de R$ 16 mil em diárias de hotel, mesmo morando em Porto Alegre. Segundo a investigação, uma das provas está no registro do carro dela.

O MP suspeita que até notas em branco eram liberadas pelos hotéis. É o caso de outra agente que apresentou dois comprovantes de hotéis diferentes para receber R$ 520 em diárias. No relatório, o promotor diz que a grafia das notas é muito semelhante.

Outra suspeita de fraude envolve um agente que apresentou uma nota de R$ 260 para receber sete diárias. Entretanto, a via original mostra um valor de R$ 60.  Há casos em que os agentes apresentavam notas frias para receber diárias corridas. Um deles recebeu, em 2014, mais de R$ 30 mil.

O Ministério Público tenta identificar os responsáveis por nomear os agentes envolvidos nas fraudes. Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado descobriu o pagamento de mais de R$ 11 milhões em diárias desnecessárias, pagas a agentes da Susepe entre 2009 e 2012.

Procurada pela reportagem, a Susepe informou que não vai se manifestar sobre o trabalho do Ministério Público.

Eu achava que o Sartori seria um bom governador, mas é outro um governicho. Como eu escrevi há um mês que em maio seria atrasar os vencimentos do funcionário público.
O Sartori é um gringo, dos piores do Rio Grande do Sul.

Como escreveu o Amapergs-Sindicato:

Caros colegas,
Abaixo está a manifestação do Governo referente ao salário do mês de maio.
Queremos alertar os servidores que, através da FESSERGS, já temos decisão judicial que PROÍBE o ATRASO E O PARCELAMENTO dos salarios dos Servidores Públicos, que estejam vinculados a FESSERGS, dos quais os Servidores Penitenciários, através do Amapergs Sindicato, são!

O AMAPERGS/SINDICATO REPUDIA esta atitude do Governo do Estado, onde os cortes de horas-extras já diminuíram E MUITO uma área da Segurança Pública que já estava carente de Servidores.

O AMAPERGS/SINDICATO irá se movimentar contra este tipo de ação governamental.

O GOVERNO FAZ ECONOMIA, QUEM PAGA É O SERVIDOR, E QUEM SOFRE É A SOCIEDADE!!!

VIDAS É O BEM MAIOR!!!

Servidora que monitorava as câmeras da prisão cumpria primeiro plantão na sala de controle

No dia em que o traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu, foi morto na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), quinta-feira passada, não havia agentes em todos os postos que deveriam estar sob vigilância.

E mais: a servidora que cuidava da sala de controle – onde se vê em tempo real imagens captadas por cerca de 60 câmeras – foi aprovada no último concurso da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e cumpria naquele dia o terceiro plantão de sua carreira, o primeiro no setor de câmeras.

Zero Hora apurou com servidores que, no posto em que ela estava, deveria haver pelo menos duas pessoas para observar movimentos em três monitores de 42 polegadas cada um. Na última quinta-feira, no entanto, ela fazia plantão sozinha. No momento do ataque a Teréu, estava na sala um servidor de outro setor, olhando imagens de outras galerias. Isso teria contribuído para a distração da plantonista, novata na profissão e sem treinamento para atuar no monitoramento.

Por conta da carência de efetivo e da pressão sobre os funcionários responsáveis pela vigilância do refeitório da galeria A, o clima é de tensão entre agentes. O temor é de que servidores sejam responsabilizados sem que se discuta a falta de funcionários para atuar na prisão que deveria ser de segurança máxima. Conforme Flávio Berneira Junior, presidente Sindicato dos Servidores Penitenciários (Amapergs), a plantonista está muito abalada emocionalmente e sob acompanhamento médico. Na segunda-feira, o sindicato esteve na Pasc. Em um dos setores, onde deveria haver 15 funcionários, havia apenas três. Segundo servidores, a prisão deveria contar com 40 agentes por turno, mas, atualmente, esse número não passaria de 28.

Executores achavam que câmera estava desligada

A redução repercute em pontos estratégicos, que ficam descobertos, como o caso da sala de controle e dos mezaninos nas laterais dos refeitórios. Deveria haver agentes caminhando nos mezaninos, que têm plena visão para os refeitórios. No dia do crime, não havia. Na inspetoria, que controla a entrada e saída de presos das galerias, a ida para o pátio e para o refeitório, o número ideal é de três servidores. Apenas dois estavam lá no dia do assassinato.

A presença de agentes nos mezaninos podia ter impedido esse crime. Mas não há pessoal para estar naquele posto – atesta Berneira.

Para agravar o clima na prisão, na segunda-feira, um dos envolvidos no crime, Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, teria feito ameaças. Segundo servidores, ele teria dito que se o nome dele fosse mesmo vinculado à morte de Teréu, mais assassinatos ocorreriam. Os envolvidos na execução foram surpreendidos com a gravação do crime. Eles haviam desconectado o fio de uma câmera de vigilância e acreditavam estar agindo sem registros. O fato de estar tudo documentado aumentou a tensão no local.

ZH pediu para a Susepe informações sobre falta de agentes no dia do crime e sobre a atuação de uma servidora inexperiente na sala de controle, mas não obteve resposta até as 21h de ontem.

http://www.clicrbs.com.br/pdf/17398054.pdf 

Diretor, chefe de segurança e agentes são afastados

Cinco dias depois da execução do traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu, dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP) informou ontem à noite que foram afastados das funções o diretor, o chefe de segurança e funcionários da prisão. A medida, segundo a secretaria, visa a preservar as investigações sobre as circunstâncias do assassinato.

A decisão foi acertada pelo secretário da Segurança Pública, Wantuir Jacini, e o comando da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe). Devem ser afastados todos os agentes que tinham alguma responsabilidade na vigilância do refeitório da galeria A da Pasc, onde Teréu foi atacado e morto por presos enquanto fazia uma refeição. Nas imagens da câmera de monitoramento, o que se vê são detentos circulando e agindo com naturalidade, por quase 60 minutos, sem que nenhum guarda apareça.

Do total de tempo de gravação, a execução de Teréu, por asfixia, durou 10 minutos. Depois, os presos entram e saem do local sem demonstrar preocupação. Enquanto o corpo está no chão, já com o refeitório vazio, um detento retorna para furtar os tênis de Teréu. Volta minutos depois e devolve o calçado. Em nenhum momento os presos parecem preocupados com os guardas.

Agentes devem depor até o fim desta semana

O afastamento, segundo a secretaria, é provisório, até o fim das investigações. Depois, se nada for comprovado em relação aos servidores, eles poderão retornar às funções. Por enquanto, a direção e a chefia de segurança ficarão a cargo de interinos. A decisão já estaria tomada pela secretaria desde a sexta-feira, dia seguinte à execução, mas demorou para ser concretizada devido aos cuidados para a escolha dos interinos.

A Polícia Civil de Charqueadas deve tomar o depoimento de agentes penitenciários até o fim desta semana. Ontem, o delegado Rodrigo Reis, que conduz a investigação, passou a tarde na penitenciária. Ouviu presos e analisou imagens.

ADRIANA IRION JOSÉ LUÍS COSTA / ZH

Imagens da câmera de segurança de refeitório da penitenciária em Charqueadas mostram que ação de presos de alta periculosidade para sufocar traficante Teréu demorou cerca de 10 minutos. Nenhum agente apareceu para intervir

As imagens captadas no refeitório da galeria A da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) mostram bem mais do que a execução do traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu. Zero Hora teve acesso aos vídeos. São quase 60 minutos em que presos de alta periculosidade agem com total liberdade no ambiente sem que nenhum guarda apareça. Eles executam o parceiro, organizam o local, entram, saem, e têm tempo até para trocar por duas vezes os tênis de Teréu, já morto.

O crime ocorreu na quinta-feira passada, no horário do almoço, na prisão que deveria ser modelo de segurança. A execução em si, desde quando Teréu é derrubado no chão até que não mais respire, demora 10 minutos. Os presos agem com extrema naturalidade. Caminham com calma, alguns seguem comendo, saem do refeitório, voltam. Há 10 trechos de vídeos – em sequência –, cada um com cerca de cinco minutos. As imagens foram captadas por uma câmera instalada no local depois de o juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais (VEC), cobrar medidas de segurança, já que outros dois presos haviam sido assassinados no mesmo refeitório.

As primeiras imagens mostram presos entrando no local e uma fila formada para servir a comida. Teréu está na fila. Aos 32 anos, é um homem forte, que pesa mais de cem quilos. Um dos primeiros a ingressar e se colocar bem ao fundo do refeitório é o homem apontado como um dos mentores e articuladores da execução: Ubirajara da Silva Barbosa, o Bira. Ele entra e sai do local sem encostar em Teréu.

O coordenador da execução teria sido Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, 36 anos. Ele aparece servindo o prato, mas em nenhum momento senta-se. Caminha pelo ambiente comendo. Ele está próximo de Teréu quando três presos atacam o traficante pelas costas. Um deles chega a subir em uma das mesas para facilitar a emboscada. Teréu é puxado pelo pescoço para o chão e começa o sufocamento.

Os três ficam sobre Teréu por cerca de 10 minutos. Nesse período, um quarto preso entra no local e alcança duas sacolas ao trio. Um dos detentos envolvidos, quando entrou no refeitório, aparentava dificuldade para caminhar, apoiado por muletas. Durante a execução, se desloca perfeitamente. Ao fim, sai do local novamente de muletas.

Na ação, alguns presos deixam o refeitório. Outros seguem almoçando. Teréu é arrastado. Maradona aparece trazendo mais uma sacola e ele mesmo a coloca na cabeça de Teréu, que já está sem movimentos. Outro preso, que não agiu diretamente no sufocamento, entra no refeitório e fica de pé sobre o corpo. No final das cenas, o corpo já está próximo à entrada do refeitório, onde antes os presos apareciam na fila para servir a refeição. O local fica vazio.

ADRIANA IRION / ZH

Juiz aponta falhas

Responsável pela investigação da morte do traficante Teréu, ocorrida na Pasc na quinta-feira passada, o delegado Rodrigo Reis disse ontem que já solicitou à Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) os nomes dos servidores responsáveis pelo refeitório e pelo monitoramento da câmera que registrou o crime. A Polícia Civil de Charqueadas espera tomar o depoimento de agentes ainda nesta semana. A Susepe, que abriu sindicância para apurar a atuação dos servidores, não informou quantos deviam estar cuidando do refeitório ou monitorando a câmera.

O juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais (VEC), que em janeiro rebaixou a Pasc de alta para média segurança, aponta alguns procedimentos que poderiam contribuir para a penitenciária ser mais segura:

Os presos deveriam usar uniforme e teriam de receber comida na própria cela. O banho de sol deveria ser individual e os presos não poderiam ter nada que não fosse fornecido pelo Estado.

http://www.clicrbs.com.br/pdf/17395790.pdf  

Transferência de suspeitos espera liberação

Justiça decide que envolvidos na execução tenham confinamento rigoroso em prisões fora do Estado, mas é preciso aguardar avaliação de órgão federal

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) avalia pedido da Vara de Execuções Criminais (VEC) de Porto Alegre de transferência para uma prisão federal de cinco detentos (veja os nomes no quadro) envolvidos na morte do traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu, 32 anos, assassinado por asfixia na Penitenciária de Alta Segurança (Pasc), na quinta-feira. Ontem, a Justiça determinou a transferência imediata dos cinco suspeitos.

A decisão foi assinada em conjunto pelos magistrados da VEC de Porto Alegre Alexandre de Souza Costa Pacheco, Paulo Augusto Oliveira Irion, Patrícia Fraga Martins e Sidinei Brzuska e da VEC de Charqueadas, Vanessa Lilian da Luz. Os juízes pediram a inclusão no regime disciplinar diferenciado (RDD), sistema mais rigoroso de confinamento (veja quadro) em penitenciárias federais.

Ação foi premeditada, afirmam magistrados

Em caráter emergencial, a requisição foi remetida ontem por meio eletrônico ao Depen, organismo que gerencia o número de vagas nas quatro cadeias federais – Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). Os magistrados ainda concluíram que “as imagens (do crime na Pasc) não somente identificam perfeitamente os algozes, como revelam um agir premeditado, cruel, covarde e moroso.”

Não há prazo para o Depen responder, mas o pedido será reforçado pessoalmente pelos magistrados gaúchos amanhã, quando o diretor-geral do Depen, Renato Campos de Vitto, estará em Porto Alegre, participando de evento da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). Após a manifestação do órgão, é preciso aguardar autorização de um colegiado de juízes federais da comarca onde fica a cadeia.

Os cinco presos são apontados como participantes diretos na morte – executando ou ordenando o crime. Outros quatro teriam atuação secundária, prestando apoio. Todos estão com prisão preventiva decretada.

Embora a Pasc tenha na nomenclatura a palavra alta segurança, é uma prisão com defasagem estrutural e permeada por fragilidades a ponto de não ter condições de controle de presos perigosos. No âmbito da VEC, juízes tratam a Pasc como cadeia de segurança média.

Atrás das Grades
Presos da Pasc que devem ir para prisão federal
1 Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, 36 anos, condenado a cem anos de prisão por crimes como tráfico de drogas, assaltos e assassinatos. Já foi transferido duas vezes para penitenciárias federais por ter sido flagrado ordenando mortes e roubos por celular.
2 Ubirajara da Silva Barbosa, o Bira, 35 anos, integrante de uma quadrilha de Canoas, tem penas que somam 52 anos e nove meses de cadeia por envolvimento com tráfico internacional de drogas.
3 Luciano Alves Pereira, 34 anos, tem condenação de 45 anos e 10 meses por furto, roubos, porte de arma e associação para o tráfico.
4 Rudinei Pereira da Silva, 33 anos, condenado a 33 anos e sete meses de reclusão pela prática de roubos, homicídio qualificado e porte de arma.
5 Rudinei Henrique de Abreu, 32 anos, preso preventivamente, foi pronunciado por homicídio em Barra do Ribeiro.
O que é RDD
Criado em 2003, o regime disciplinar diferenciado (RDD) prevê regras rígidas. O preso é confinado em cela individual, vigiada por câmeras e tem direito apenas a duas horas de banho de sol por dia. A visita semanal é restrita a até duas pessoas, sem contato físico. É proibido qualquer outro contato com o mundo externo, como TV e internet.
Homicídio dentro da PASC é o mais recente capítulo de uma guerra travada por traficantes em Porto Alegre, com direito a comemoração da morte de bandido por rivais. Episódio marca série de crimes violentos por toda a Capital

Acostumada a soltar fogos para embalar a rivalidade entre Grêmio e Inter, Porto Alegre assistiu ontem a uma vibração inusitada e mórbida: os foguetes estourados por volta das 14h em um condomínio situado quase no coração da Capital festejavam uma morte, e o desfecho de mais um capítulo na guerra do tráfico de drogas.
A euforia traduzida pelo espocar de fogos nas cercanias de prédios de apartamentos na Avenida Princesa Isabel foi pelo assassinato do traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu, asfixiado dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), distante cerca de 60 quilômetros do conjunto habitacional.
A algazarra embalada por fogos e por música alta, observada por policiais militares, marcou a tarde em uma Capital agitada pela violência que, nos últimos 23 dias, lançou no cenário urbano perseguições e execuções a tiros em avenidas das mais movimentadas. O caso mais recente ocorreu na quarta-feira, quando um casal foi fuzilado na Bento Gonçalves, em meio ao rush das 17h. Houve ainda execuções na Paulino Azurenha, na Avenida Sertório e, dentro de um ônibus, na Avenida Farrapos. Pelo menos duas crianças – uma delas em Canoas – foram vítimas da guerra do tráfico, atingidas por balas perdidas.
Enquanto autoridades se reuniam na Pasc para tentar decifrar como um detento foi surpreendido e morto dentro da prisão tida como de segurança máxima, a festa seguia no Princesa Isabel, com pelo menos mais cinco baterias de fogos até o final da noite.
A comemoração pela morte de Teréu ocorreu porque ele era o principal suspeito de ter ordenado a execução de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, ocorrida a uma quadra da beira-mar, em Tramandaí, no Litoral Norte, em 4 de janeiro. Suspeito de comandar o tráfico de drogas em pontos da Capital, Xandi era idolatrado no Princesa Isabel, onde se criou e tinha familiares. Depois do crime, um grafite gigante com o rosto dele chegou a ser estampado na parede de um dos prédios.
Ataques à luz do dia viram rotina
A descontração no conjunto habitacional, que ora homenageia um traficante, ora comemora ostensivamente a morte de outro, é mais um exemplo de como o crime expandiu seus domínios diante da inércia do poder público. Antes restritas às áreas periféricas da cidade ou concretizadas nas madrugadas silenciosas, as execuções viraram rotina à luz do dia no cenário de Porto Alegre.
Em nenhum dos casos recentes houve flagrante, ou seja, não havia policiamento ostensivo da Brigada Militar nos locais onde ocorreram homicídios, apesar de registrados em regiões de alto fluxo de veículos e de pessoas. Além de esclarecer as circunstâncias da morte de Teréu, que estava sob custódia do Estado, e dos outros casos recentes que assolaram a Capital, a segurança pública tem pela frente o desafio de estancar novos capítulos da disputa entre os grupos dos dois traficantes mortos. Ontem à noite, já chegavam à polícia informações sobre possível revide do grupo de Teréu.
A Secretaria de Segurança Pública se manifestou por meio de nota, informando que foi instaurado inquérito para investigar o homicídio de Teréu, e a Corregedoria Geral dos Serviços Penitenciários instaurou sindicância para apurar os fatos na esfera administrativa. “Imediatamente após o relato do falecimento, a segurança na região do Beco dos Cafunchos, no bairro Agronomia, foi reforçada. O Comando do Policiamento da Capital está monitorando e reforçando os efetivos em outras áreas consideradas de risco”, dizia a nota.

ADRIANA IRION / ZH

Escalada da criminalidade
16 DE ABRIL
Em provável acerto de contas, Gerson Fagundes, 38 anos, foi executado com mais de 20 tiros dentro de ônibus da linha Passo das Pedras, em plena tarde, no cruzamento da Avenida Farrapos com a Rua Ramiro Barcelos, no Centro. Ele era foragido e estava armado.
17 DE ABRIL
Um tiro de fuzil matou Laura Machado Machado, sete anos, enquanto ela dormia em casa no loteamento Campos do Cristal, bairro Vila Nova. A bala, entre as mais de cem disparadas, partiu de quadrilheiros em guerra.
27 DE ABRIL
Rodimar Goulart, 45 anos, e Ricardo Rosário da Rosa, 34 anos, o Sarará, foram executados por volta do meio- dia na Avenida Sertório, bairro Sarandi, na Capital. Eles estavam em um caminhão-guincho que foi alvo de mais de 60 tiros. O alvo seria Sarará, que estava em prisão domiciliar.
28 DE ABRIL
Emanuel Vinícius Gonçalves Rocha, 12 anos, foi morto a tiros na Avenida Doutor João Dentice, bairro Restinga, na Capital. Ele tinha antecedentes por roubo a pedestre e tráfico, e teria sido aliciado para vender drogas na região.
29 DE ABRIL
O advogado Marco Antônio Mariano, 57 anos, foi morto a tiros dentro de um café, na Avenida João Corrêa, no Centro de São Leopoldo, por volta das 11h.
1º DE MAIO
Richard Kaun de Souza, oito anos, morreu com um tiro na cabeça, às 23h20min, em Canoas, enquanto criminosos executavam seu tio Babiton Gabriel da Silva de Lopes, 19 anos. O motivo seria dívidas do tráfico. Lopes estava em cima de uma cama, sob a qual Richard havia se escondido.
2 DE MAIO
Um homem foi morto a tiros por volta das 15h na Rua Paulino Azurenha, bairro Partenon, zona leste de Porto Alegre. Eduardo Graf Jardim, o Alemão, 41 anos, estava em um carro que foi emboscado por atiradores. No local do crime, um fuzil calibre .223, de fabricação canadense, foi apreendido pela polícia.
4 DE MAIO
Ana Paula Leal, 20 anos, grávida de seis meses, foi morta com um tiro na cabeça quando criminosos dispararam mais de 15 vezes contra o carro em que ela estava com outras cinco pessoas, na Avenida Itacolomi, em Gravataí. O alvo seria o cunhado dela que, também baleado, foi socorrido.
6 DE MAIO
Um casal foi perseguido e executado a tiros dentro de um carro, no final da tarde, na Avenida Bento Gonçalves, bairro Partenon, na Capital. As vítimas, Kellen Monteiro Dornelles, 32 anos, e Luis Antônio da Rosa, 35 anos, estavam com prisão preventiva decretada por uma tentativa de homicídio em janeiro deste ano.
Asfixiado no refeitório da cadeia

A Polícia Civil confirmou no começo da noite de ontem que Paulo Márcio Duarte da Silva, o Maradona, é um dos envolvidos na morte de Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu, ocorrida pela manhã na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc).
Conforme o delegado de Charqueadas, Rodrigo Reis, Maradona e Teréu compartilhavam a mesma galeria, identificada como pertencente à facção dos Abertos.
Até 2011, quando foi transferido para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, Maradona era considerado pela polícia um dos principais criminosos do Estado. Chefiava a facção Os Manos. Maradona retornou à Pasc em 2013. Agora, estaria aliado aos Abertos.

Teréu foi morto em um dos refeitórios da prisão. Imagens das câmeras de segurança flagraram o crime. O delegado revelou que a ação dos detentos para matar Teréu por asfixia teria durado entre cinco e 10 minutos. Ele foi atacado pelas costas, estrangulado e jogado no chão. Ao ver a confusão, outros presos que almoçavam saíram correndo do local. Os detentos envolvidos na ação buscaram duas sacolas, usadas para asfixiar o traficante. Os suspeitos foram identificados e isolados logo após o homicídio.

Disputa entre facções atrás das grades

Informações não confirmadas pela polícia dão conta de que, no mundo do tráfico, a morte de Teréu já estaria prometida por uma recompensa de até R$ 300 mil.
O delegado adiantou que entre cinco e sete presos deverão ser indiciados pelo crime. Ontem, foram ouvidos oito apenados, um na condição de testemunha:

A maioria permaneceu em silêncio. Outros tentaram negar participação, mas foram denunciados pelas imagens das câmeras – afirmou Reis.

Informalmente, presos disseram que não há relação entre o assassinato e as desavenças do grupo de Teréu com o grupo de Alexandre Goulart Madeira, o Xandi, morto em janeiro deste ano, em Tramandaí. Alegaram que a razão do crime seria o fato de Teréu ser suspeito de crimes rechaçados até mesmo por bandidos de alta periculosidade. Citaram, como exemplo, a morte de um taxista.
Um dos próximos passos da investigação é verificar como agentes da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) fazem a vigilância dos presos. No momento do ataque, no refeitório, não havia agentes no local.
Tão logo a morte do traficante foi noticiada, houve um prolongado foguetório no Condomínio Residencial Princesa Isabel, conhecido como Carandiru.
Teréu foi preso dia 13 de abril com um carregador de pistola na saída de uma boate na zona leste de Porto Alegre. Encaminhado para o Presídio Central, lá ele já teria sofrido as primeiras ameaças. Teve prisão preventiva decretada no dia seguinte e foi transferido para a Pasc.
A chegada de Teréu à cadeia teria polarizado ainda mais a disputa entre facções. De um lado, Os Manos, que tinham em Xandi o seu principal aliado em Porto Alegre e Região Metropolitana, do outro, a Vila Maria da Conceição, que teria amparado os aliados de Teréu em suas galerias.

EDUARDO TORRES RENATO DORNELLES | ZH

Alta segurança ficou só no nome

O assassinato de Teréu, em plena luz do dia e sob custódia do Estado, expõe mais uma vez as chagas da prisão que deveria ser modelo de segurança no Estado – a Penitenciária de Alta Segurança de Chaqueadas (Pasc).
Em janeiro, o juiz Sidinei Brzuska emitiu despacho determinando que em ofícios internos da Vara de Execuções Criminais (VEC) a Pasc passasse a ser definida como de “média” segurança. A decisão teve por base 18 irregularidades detectadas na prisão, que deveria ser modelo. Conforme a Justiça, a Pasc tem falhas iguais as de cadeias comuns, assim como as mesmas facilidades para presos consumirem drogas, usarem telefones e, principalmente, ordenar crimes nas ruas.
Hoje, uma guerra que tem sido travada por traficantes nas ruas de Porto Alegre teve desfecho em um dos refeitórios da Pasc, com a morte de Teréu por asfixia. Câmeras de segurança registraram o crime.
Segundo Brzuska, o advogado de Teréu, Santo Virissimo Camacho, havia solicitado duas vezes a transferência do detento para outra penitenciária, mas ambos os pedidos foram negados. O juiz não soube informar as causas da negativa. Normalmente, detentos com muita visibilidade ou que estejam sob risco de vida ficam isolados, caso peçam. Teréu estava no isolamento desde a sua chegada à Pasc, mas, ainda conforme Brzuska, na terça-feira o próprio detento pediu para sair desta condição e voltar ao convívio com outros presos.

Ainda de acordo com Brzuska, este é o terceiro homicídio dentro do mesmo refeitório na Pasc. Um dos casos mais notórios foi o assassinato com 12 facadas de Francisco dos Reis Cavalheiro, o Chico Cavalheiro, em 2006. Cavalheiro participou do maior motim do sistema prisional gaúcho, o do Hospital Penitenciário, em 1994.

Foi muito bom e “já estamos com saudades do próximo!!!”, como escreveu Leonardo Leiria no Facebook

As fotografias

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Aumento para o SSP que começa a ser pago em maio pode ficar para adiante. Para isso, governo precisa aprovar projeto na Assembleia. Ação judicial é avaliada
O Sartori é burro, ou louco, ou os dois como um governicho para adiar os reajustes do SSP até 2018. Os servidores do Susepe, Brigada Militar, Polícia Civil e o IGP, estrarão em GREVE.
Por Rosane de Oliveira / ZERO HORA.com

Nem bravata, nem enfrentamento com a União: o atraso no pagamento da dívida é uma medida calculada para produzir dois efeitos. Primeiro, injetar R$ 240 milhões no fluxo de caixa e pagar em dia o salário de abril. Segundo, adubar o terreno para as medidas amargas que o governo terá de adotar para realizar mudanças estruturais. A pedalada da dívida foi pensada e repensada para produzir dano mínimo com repercussão máxima.
No cardápio de mais de 30 projetos que devem ser propostos à Assembleia nos próximos meses, estão o aumento do ICMS, o corte de benefícios fiscais, a elevação do limite dos saques dos depósitos judiciais de 85% para 90% e a eliminação de vantagens, como licença-prêmio e incorporação de funções gratificadas para servidores.
O governador e seus secretários sabem que a União está autorizada a reter recursos federais e a sequestrar receita estadual para pagar a parcela da dívida, mas é possível que a Fazenda quite o débito antes que as sanções se consumem. Sartori colheu aplausos de quem acha que ele está “peitando” o governo federal e se recusando a pagar uma dívida que, na prática, já foi paga. Nada disso. O próprio governador fez questão de dizer que não é calote e que o atraso será usado única e exclusivamente em abril.
Se não vai atrasar a dívida em maio, isso significa que outros setores serão os sacrificados, porque em maio a situação tende a ser pior do que em abril. Um exercício elementar de matemática mostra que, se o governo tem de pagar duas parcelas da dívida no mesmo mês, sem perspectiva de receita extra, vai faltar dinheiro.
Em maio, Sartori terá novamente de escolher quem vai para o sacrifício: os servidores, os municípios, os fornecedores ou os demais poderes, que até aqui seguem com os repasses intocados. O governo já pediu colaboração ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, ao Tribunal de Contas e à Assembleia, mas não encontrou receptividade.

Agora esse governador do Sartori disse que vai atrasar os salários do funcionários públicos para maio – sem os Ministério Público, nem a Justiça, ou a Tribunal de  contas e os Assembleia Legislativo.

O deputados, os promotores, juízos e outros não vai atrasar os salário deles, só para os servidores do Estado.

Esse o Sartori é um gringo, dos piores. 

Os diretores, Carson Santos Cheiram e Nelson Azevedo Júnior, do Amapergs-Sindicato com da UGEIRM e os servidores da Brigada Militar pela a Segurança Pública, pautando única dos servidores:
  1. Repúdio ao terrorismo do governo pela possibilidade de atraso e ou parcelamento dos salários dos servidores da SSP;
  2. Pela manutenção e cumprimento da Lei dos Subsídios e salários até 2018 (Susepe, Polícia Civil (PC), Brigada Militar (BM) e Instituto Geral de Perícias (IGP);
  3. Pela falta de efetivo funcional, chamando dos concursados da Susepe, PC e BM;
  4. Pela realização das Promoções, da Susepe, PC, BM e IGP;
  5. Pela manutenção das Aposentadorias Especiais, da Susepe, PC, BM e IGP.

Vamos ver…