Veículos na mira do crime. Bom improviso do secretário da SSP

Publicado: 2 de setembro de 2013 em Uncategorized
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Em uma série de reportagens, ZH revela a situação da segurança pública no Estado

Temas como policiamento, falta de viaturas, estrutura física e de pessoal das delegacias serão abordados em testes diários. A série se inicia com um assunto caro aos gaúchos, em especial aos porto-alegrenses: roubo (com violência) e furto (na ausência das vítimas) de veículos, dois crimes que crescem e cujas ações anunciadas pelas autoridades nos últimos anos para contê-los não saíram do papel. Para mostrar as vítimas deste drama, ZH reconstituiu todos os casos registrados em um intervalo de 24 horas .

A indústria do furto e do roubo de carros anda a pleno vapor em Porto Alegre.
De cada cem automóveis levados pelos bandidos no Rio Grande do Sul, em média 35 somem na Capital, conforme dados oficiais da Secretaria da Segurança Pública.
Uma das explicações para esse índice pode ser a circulação maior de veículos. Mas, mesmo assim, o número assusta. A frota licenciada na cidade representa apenas 13,8% do total de veículos registrados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran).
E as estatísticas mais recentes indicam que a situação em Porto Alegre só piora. No primeiro semestre de 2013, furtos e roubos cresceram 16,6% em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto os dados gerais no Estado sinalizam um aumento de casos bem menor, 9,9%.
Nesta reportagem, Zero Hora se propõe a retratar a saga de motoristas vítimas dos ladrões em Porto Alegre durante as 24 horas do último sábado, 27 de julho. Escolhida aleatoriamente, a data registrou 18 casos (11 roubos e sete furtos) –bem abaixo da média diária no primeiro semestre, que foi de 28 casos.
O levantamento revela que a noite, entre 18h e 24h, segue sendo o período preferido dos ladrões. E o Passo D’Areia foi o bairro recordista com três casos, curiosamente, todos à luz do dia.
Passada uma semana, dos 18 veículos levados, 11 seguiam desaparecidos até sexta-feira. Confirmando essa estatística, é possível que 60% das vítimas nunca mais tenha notícias do seu automóvel. E quem recuperá-lo estará sujeito a dores de cabeça por causa da burocracia em repartições públicas e sem a garantia de que vai reavê-lo em condições de uso – seja pela ação dos criminosos que depenam os automóveis ou por funcionários sem escrúpulos que trabalham em depósitos, como foi revelado por Zero Hora no ano passado, motivando o fechamento de duas dessas empresas.
Ações preventivas não saem do papel
O tormento imposto a motoristas em Porto Alegre remonta a mais de uma década. Antigo, portanto, assim como são antigos os métodos para combater esse tipo de crime. Faltam novas técnicas de repressão mas sobram promessas. Em 2007, por exemplo, quando os roubos de carro bateram todos os recordes no Estado, a então governadora Yeda Crusius sancionou a Lei 12.745, a chamada Lei dos Desmanches, que prevê um sistema informatizado, sob administração do Estado, para controlar a compra e a venda de autopeças. Apontada como uma das soluções para acabar com ferros-velhos clandestinos, que fomentam furtos e roubos de carros, a lei completou o sexto aniversário de existência em 11 de julho. Sem nenhum motivo para comemoração, pois até hoje ainda não saiu do papel.
Outra promessa que engatinha – fez um ano em março – é a do cercamento eletrônico da Capital e cidades vizinhas por meio de um conjunto de sensores e câmeras de vigilância capaz de identificar a circulação de carros roubados e furtados. O projeto custaria R$ 20 milhões, em uma parceria do Estado com a Associação dos Municípios da Grande Porto Alegre.
Estimativas mais otimistas indicam que a Lei dos Desmanches começará a ser aplicada em agosto, quando dois dos 120 depósitos regularizados pelo Detran deverão operar de acordo com as nova regras. Mas o cercamento eletrônico segue sem qualquer previsão.
O descontrole sobre os furtos e roubos, além de prejuízos materiais e traumas às vitimas, provoca ainda um efeito colateral: aumento de gastos com seguro. Em áreas mais visadas da Capital, como a Zona Norte, que fica próximo de rotas de fuga para a Região Metropolitana, o preço da apólice é até 48% mais alto do que na Zona Sul, por exemplo, que registra menos casos.
Participaram desta reportagem Carlos Wagner Cláudia Lawisch, Conrado Esber, Eduardo Paganella, Itamar Melo, Letícia Costa e Taís Seibt.

Industria em crescimento

De cada cem veículos levados no Estado, em média,

35

São de Porto Alegre.

FURTO E ROUBO NO ESTADO*

2012

13.143

2013

14.454

9,9%

Média diária de

79,8

Carros levados este ano

Furto e roubo na Capital

2012

4.417

2013

5.153

16,6%

Média diária de

28,5

Veículos levados em 2013

Frota

RS > 5.532.795

Porto Alegre > 763.306

(13,8% do total do Estado)

Fonte: *No primeiro semestre

Industria em crescimento

O relógio do crime

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