Representante do governo defende valorização dos agentes penitenciários e critica ‘justiceiros da mídia’

Publicado: 13 de setembro de 2013 em Uncategorized
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Para que as prisões brasileiras sejam humanizadas, tem-se que valorizar e humanizar não somente os presos, mas também quem cuida deles. Foi o que ressaltou Deise Benedito, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, em debate sobre o sistema prisional promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) nesta segunda-feira (2).

O agente penitenciário tem que ser valorizado à altura do que lhe é cobrado – ressaltou.

Ao comentar a atuação desses profissionais nos presídios, que estão superlotados, Deise frisou que “não é possível conceber” que um único agente cuide de 100 ou 150 pessoas. Nessas condições, observou, os profissionais não têm como desempenhar sua função.

A representante do governo no debate lembrou ainda que, em muitos casos, presos e agentes penitenciários convivem em prisões que são como “pocilgas”.

O preso, o agente penitenciário e o diretor do presídio têm a mesma dignidade. Todos têm que ser valorizados, pois assim é possível fazer prevalecer os direitos humanos – argumentou.

Modelo esgotado

Deise também reiterou que o sistema prisional é um modelo esgotado, no qual a pessoa é presa, reincide no crime e não sai desse círculo vicioso. Por isso, alertou ela, é preciso avaliar quais são as medidas alternativas em relação à prisão.

Que modelo de sociedade nós queremos em relação à repreensão ao ato delitivo criminal? – questionou.

Deise Benedito também questionou a presunção de que os presos são violentos. Para ela, essas pessoas não agem violentamente quando são tratadas com respeito e em situação de igualdade, em vez de subalternidade.

Visitei presídios em que os presos são obrigados a colocar as mãos para trás e não podem olhar para seus chamados superiores – contou.

Mídia

Outra questão abordada por Deise foi a influência dos meios de comunicação. Ela afirmou que a Justiça muitas vezes é pressionada a atender uma demanda midiática. Segundo ela, é comum um caso ganhar tamanha proporção em jornais e telejornais, que quem faz o julgamento não é o juiz, mas a mídia.

Há bons profissionais na mídia. Mas há maus profissionais que vivem da audiência e incitam à violência. Dizem: ‘Tem que bater! Tem que matar’. É preciso cuidado com o que se fala e como se fala.

Agência Senado

comentários
  1. everaldo disse:

    concordo plenamente com o que foi colocado, mas lembrando também os profissionais são seres humanos e merecem respeito tambem do juducuário, que em muitos casos os servidores são vistos como os vilões e os bandidos como coitadinhos.

  2. Roberto Paiva Moreira disse:

    Roberto Paiva Moreira, Agente Penitenciário Classe “E”, aposentado: Trabalhei 30 anos e 10 meses em regime de plantão. Nesse período acumulei as experiências de ter trabalhado nos seguintes estabelecimentos prisionais por opção ou necessidade de serviço: Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), Instituto Penal de Mariante (IPM), Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), Núcleo de Segurança e Disciplina (NSD) Penitenciária Estadual de Charqueadas (PEC) respeitosamente apelidada de “Tio Patinhas” por mim, em março de 1983, Penitenciária Feminina “Madre Pelletier” e escolta nos hospitais: Belém Novo, Cristo Redentor, Divina Providência, N.S. Conceição, H. Clínicas, Inst. Cardiologia, Mãe de Deus, Moinho de Ventos, Pres. Vargas, Santa Casa e Vila Nova e, para finalizar realizei escolta de presos em linha norma de ônibus, com alto risco para os dois lados. OBS: Tudo isso para dizer o seguinte: Precisou chegar aos caos o “Sistema Penitenciário” para que poder público percebesse a complexidade que é a função do “Agente Penitenciário”. e botasse a cara a tapa para contornar esse grande problema que está instalado. Meu amigo Cavalcanti! Aquele abraço e muita saúde para você e todos os seus familiares e amigos.

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