O Instituto-Geral de Perícia (IGP) tem mais de 3,4 mil perícias atrasadas

Publicado: 20 de abril de 2014 em Uncategorized
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Fechamento do principal prédio do IGP aumenta problemas relacionados ao exame de indícios vitais para a solução de crimes
O secretário do Segurança Pública (SSP) está muito mal também nas perícias

Há mais de cinco meses, o prédio-sede da perícia criminal no Estado está interditado por precaução contra incêndio e questões de direito de propriedade. Desde então, problemas se acumulam no setor. Espalhados por edifícios não projetados para funções técnicas, os peritos carecem de locais adequados para testar armas, realizar exames laboratoriais e até de silêncio para elaborar sofisticados laudos de engenharia, que demandam concentração. O resultado é que, além de instalações improvisadas, o setor acumula atrasos na entrega de perícias vitais para esclarecimento de crimes.
Mais de 3,4 mil perícias deixaram de ser realizadas entre novembro e fevereiro, apenas no setor de balística, o mais afetado pelas mudanças no Instituto-geral de Perícias (IGP), informa o Sindicato dos Peritos Criminais do Rio Grande do Sul. Vital para elucidar delitos como homicídio e latrocínio (roubo com morte), a área ficou fechada nesse período, sem emitir laudos, porque a interdição do prédio resultou no fechamento dos laboratórios onde eram feitos testes de tiro (para checar se a bala vem de uma determinada arma) e revelação química (para identificar a procedência de cada arma).
O setor de balística voltou a operar, mas continua com defasagem nas perícias. Os peritos dizem que uma sala para testes balísticos foi improvisada no almoxarifado do IGP, na sede da Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Mas lá há só uma caixa de disparo em uso para exame de comparação de teias e outra em construção, dos sete equipamentos (micro comparadores balísticos) existentes. Alguns estão em desuso por falta de espaço e três estão no prédio interditado do IGP, na Avenida Princesa Isabel. Só armas curtas (revólveres e pistolas) são periciadas. Espingardas e fuzis não, porque inexiste lugar para testar suas munições – informa Eduardo Lima Silva, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais.

A direção do IGP admite que, até segunda-feira, 3,4 mil requisições de perícias esperavam concretização, sendo 1.260 para funcionamento de armas e 2.207 de comparação de projéteis. E novas perícias voltaram a ser feitas, mediante agendamento.

Mas implantamos a atividade de força-tarefa, que está nos propiciando a redução do déficit e agilidade na elaboração de laudos – comemora Antônio Pedro Figini, diretor do Departamento de Criminalística, em resposta ao questionamento de Zero Hora.

Setor de engenharia está abrigado em sala emprestada
O problema é que os empecilhos não se limitam ao atraso em perícias. O setor de engenharia, que faz laudos sobre acidentes em prédios, por exemplo, trabalha em uma sala acanhada emprestada pelo Departamento de Identificação (DI), na Avenida Azenha. O acúmulo de gente em salas diminutas provoca reclamações dos engenheiros, que precisam se compenetrar para elaborar laudos complexos, com escassos computadores e muitos interessados em usá-los. O IGP admite que a sala é pequena para tanta gente, mas contrapõe que a engenharia ocupa também uma sala silenciosa na SSP e uma grande sala junto ao gabinete da chefia do IGP.
No DI, também atuam 20 peritos no plantão de locais de crime: os que vão aos lugares e coletam vestígios de delitos, como sangue e pólvora. Eles se queixam de dormir sobre colchões colocados em estrados de madeira e, também, de excesso de gente em um lugar pequeno. A direção do IGP estuda uma possível mudança para outro prédio estatal, para melhorar as condições dos plantonistas.

HUMBERTO TREZZI

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