Crimes eram comandados de presídios

Publicado: 23 de abril de 2014 em Uncategorized
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Falha da prisão: o pessoal de Inteligência da Susepe não sabia nada
Operação desarticulou bando que praticava tráfico, roubo, extorsão e lavagem de dinheiro

Nove detentos comandavam do Presídio Central de Porto Alegre e da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) crimes como extorsão, tráfico, roubo de veículos e lavagem de dinheiro. Do lado de fora dos muros, também faziam parte pelo menos outras 16 pessoas, que acabaram presas ontem, em ação desencadeada pela Promotoria Especializada Criminal de Porto Alegre, com apoio da Brigada Militar.
A Operação Praefectus (“prefeito”, em latim), levada a cabo na manhã de ontem com diligências em Porto Alegre, Alvorada, Campo Bom, Canoas, Capela de Santana, Esteio, Imbé, Nova Santa Rita, São Leopoldo e Sapucaia do Sul, cumpriu 25 mandados de prisão expedidos pela Justiça.
Executada por mais de 150 pessoas, entre agentes do Ministério Público (MP) e policiais militares, a ação apreendeu cerca de R$ 50 mil, 19 quilos de drogas (maconha, crack e cocaína) e cinco armas, entre as quais um fuzil.
Também foram recolhidas cadernetas com contabilidade de tráfico, balanças de precisão, computadores, um automóvel, pen drives, chips e mais de 40 celulares.
O promotor de Justiça Ricardo Herbstrith, coordenador da operação, revelou que líderes da quadrilha conhecida como “Os Manos” coordenavam os crimes e a extorsão realizados fora dos presídios a partir, principalmente, do segundo e do terceiro andares da galeria B do Presídio Central.
Entre os bandidos, o sistema hierárquico mencionava cargos como plantão, prefeito – daí o nome da operação –, representante e chefe da galeria. Líder do setor, este último controlava os conflitos entre os apenados, impunha regras e fazia reivindicações junto à direção da casa prisional.

Os líderes das galerias serão encaminhados para regime disciplinar diferenciado assim que for possível – adiantou Herbstrith.

Mulheres de apenados também foram detidas

A investigação que culminou com a Operação Praefectus se estendeu por aproximadamente um ano. Neste período, foram realizadas várias apreensões de drogas e de armamentos. Entre os detidos na ação de ontem estão cinco mulheres, quatro delas companheiras dos líderes das galerias do presídio ou de seus auxiliares.
Segundo o MP, as investigações propiciaram o esclarecimento de dois homicídios, em São Francisco de Paula e em Sapucaia.
As escutas telefônicas ainda revelaram outras duas tentativas de homicídio, executadas a partir de ordens dadas por um dos detentos investigados. Agora, as informações serão repassadas para a Polícia Civil.

MARCELO MONTEIRO

O ESQUEMA
EXTORSÃO DE DETENTOS
As investigações apontam para uma série de delitos praticados a partir de ordens de duas casas prisionais
– Parentes de presos que não faziam parte da facção eram obrigados a pagar pela segurança de quem estava dentro do presídio.
BANCOS DO CRIME
– Os pagamentos eram feitos em bares localizados próximo ao Presídio Central. Segundo o promotor Ricardo Herbstrith, os estabelecimentos – todos com alvarás de funcionamento vencido – ficavam com um percentual do valor.
PRIMEIRAS-DAMAS
– As “esposas do tráfico” tinham acesso prioritário ao presídio. Não entravam na fila. Em suas fichas no sistema Consultas Integradas (usado pelos órgãos de segurança pública do Estado), constava a informação de que, por serem companheiras dos “prefeitos”, suas bolsas não deveriam ser revistadas. Eram elas que recolhiam nos bares o dinheiro deixado pelos parentes dos presos extorquidos. Quatro companheiras de “plantões” ou auxiliares de plantão de galerias foram presas. Na casa de uma delas, foram apreendidos R$ 22 mil. Outras duas foram detidas em visita no Presídio Central.
EXTERMÍNIO DE RIVAIS
– Quando detectavam a intenção de outro grupo criminoso de atuar em sua área de influência (Vale do Sinos, Região Metropolitana e Vale do Paranhana), os bandidos ordenavam que os concorrentes fossem eliminados. Os criminosos ligados à quadrilha que eram presos – e, por consequência, perdiam a droga que mantinham em seu poder – também eram ameaçados, e suas famílias, obrigadas a repor o dinheiro. Dois homicídios e duas tentativas, ocorridos a partir deste modo de agir, foram esclarecidos pelo MP.
TRÁFICO DE DROGAS
– No decorrer das investigações, que duraram aproximadamente um ano, oito pessoas foram presas em flagrante por tráfico, totalizando 40 quilos de maconha e 11 de cocaína. Um indivíduo foi preso em flagrante com um fuzil AR-15 vendido por um apenado. Por semana, as movimentações de apenas uma parte da quadrilha chegavam a R$ 70 mil. Segundo o promotor Herbstrith, “existe muito mais (dinheiro) neste meio”.
LAVAGEM DE DINHEIRO
– A compra de veículos foi uma das formas encontradas pelo bando para “lavar” o dinheiro do esquema. Conforme o MP, os presos adquiriam veículos sinistrados e, mais tarde, encomendavam o roubo de carros idênticos para usar como clones. Três automóveis que haviam sido roubados com essa finalidade foram recuperados. Além disso, com o dinheiro levantado por meio de tráfico e extorsão, os bandidos adquiriam imóveis de alto padrão no Litoral e na Região Metropolitana.
comentários
  1. abelardo de oliveira pereira disse:

    Amigo Antônio Carlos, quem não sabe que os presídios do Estado todos tem duas direções, O Diretor indicado pela Susepe e políticos da região e que realmente manda nos presídios são os presos, dos portões para dentro a casa é deles os agentes tem que pedir licença para entrarem nas galerias. La no interior das casas é uma casa sem lei só a deles. O exemplo está nessa reportagem vejam que o central esta cheio de brigadianos e o que eles fazem ? Olha sinceramente nos velhos temos era diferente o agente entrava nas galerias e não fazia vistas grossas não. Não concorda?

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