Aumento da população carcerária preocupa

Publicado: 9 de dezembro de 2014 em Uncategorized
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O Brasil pode subir no ranking de população carcerária muito em breve. O país está em movimento inverso de Rússia, Estados Unidos e China, pois cresce cada vez mais em número de encarceramentos, cita Mônica Francisco, em artigo para o Jornal do Brasil. Aqui observou-se um aumento de 287 em 2012 para 300 em 2013 para cada 100 mil habitantes. Nosso público encarcerado, de acordo com o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), é de 574.027 presos, para 317.733 vagas, e além disso, deste número 61,68/% é negra ou parda 68% é analfabeta. “Chegamos à conclusão de que não há mesmo nada de errado em nossa sociedade não é mesmo?”, reflete Mônica

Em artigo para o Jornal do Brasil, Mônica Francisco relata preocupante dado para reflexão: O Brasil pode subir no ranking de população carcerária muito em breve. O país está em movimento inverso de Rússia, Estados Unidos e China, pois cresce cada vez mais em número de encarceramentos, de acordo com matéria publicada no jornal El País. A reportagem mostra que os países citados são os que mais diminuíram a quantidade de pessoas em sistemas prisionais, sendo que o primeiro, em sete anos baixou de 609 para 467 para cada 100 mil habitantes e o segundo na última década vem ano a ano diminuindo em um patamar que varia de 122 a 124 presos por 100 mil habitantes.

No Brasil, observou-se um aumento de 287 em 2012 para 300 em 2013 para cada 100 mil habitantes. Nosso público encarcerado, de acordo com o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), é de 574.027 presos, para 317.733 vagas, e além disso, deste número 61,68/% é negra ou parda 68% é analfabeta. “Chegamos à conclusão de que não há mesmo nada de errado em nossa sociedade não é mesmo?”, reflete Mônica. Confira o artigo na íntegra.

Por *Mônica Francisco, para o Jornal do Brasil  

É preciso transformar o comportamento da sociedade, antes que seja tarde

Algumas questões têm de fato de serem recorrentemente trazidas para nossa reflexão e discussão em diversos setores em nossa sociedade. Desde as sagradas paredes de nosso lar até as instâncias mais coletivas e plurais.

Duas notícias me chamaram a atenção nesta semana. Na verdade muitas, mas estas duas são para mim, e penso que para muitos de vocês que acompanham a coluna e são leitores deste veículo, particularmente incômodas e dramáticas, para não dizer trágicas até.

A primeira, publicada no periódico espanhol El país, em sua sessão brasileira, dá conta de que ao contrário dos três países de maiores populações carcerárias, Rússia, Estados Unidos e China, sendo o Brasil o quarto neste quesito e pelo teor da matéria, o deixará de ser muito em breve, podendo subir no ranking se mantiver a postura que vem adotando, em caminhar para um crescente número de encarceramentos.

A matéria ressalta a diminuição contínua nestes países, e desses quatro a Rússia e a China, são os que mais diminuíram. Sendo que o primeiro, em sete anos baixou de 609 para 467 para cada 100 mil habitantes e o segundo na última década vem ano a ano diminuindo em um patamar que varia de 122 a 124 presos por 100 mil habitantes.

Enquanto isso, por aqui, nosso movimento inverso é de um aumento de 287 em 2012 para 300 em 2013 para cada 100 mil habitantes e como mencionei, vem mais por aí. Nosso público encarcerado, já mencionei aqui, mas vale a pena lembrar, e de acordo com o DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) é de 574.027 presos, para 317.733 vagas , ou seja, vagas de menos e gente demais, uma combinação explosiva.

Desse contingente, 61,68/% é negra ou parda 68% é analfabeta. Chegamos à conclusão de que não há mesmo nada de errado em nossa sociedade não é mesmo?

Por sua vez, cresce o clamor por uma consolidação de um Estado policial e penal. Uma descontrolada guerra às drogas, que insere em uma guerra quem não tem nada a ver com ela e dizima cada vez mais uma parte da população brasileira com as características apresentadas no parágrafo acima e que sempre abordamos por aqui em nossa coluna.

E neste clamor por mais polícia e mais encarceramento, chegamos à outra matéria que mencionei e que chegou a mim por intermédio de publicação em uma rede social, pela antropóloga e pesquisadora Bianca Freire-Medeiros da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e que fui ler na íntegra no site da publicação intitulada News One for black America, voltada para o público afroamericano,e que divido com vocês.

A matéria menciona a pesquisa publicada pela Associação Americana de Psicologia, chama a atenção para o fato aterrador de que a polícia, e consequentemente isso pode ser ampliado para a sociedade, vê as criança negras de 10 anos como parecendo mais velhas e que não possuem, como seus pares da mesma idade, mas brancos, a presunção da inocência e consequentemente a mesma necessidade de proteção.

Hora, se replicássemos aqui essa pesquisa, não temo fazer conjecturas e dizer que o resultado não se distanciaria do estadunidense, já que o clamor pela redução da maioridade penal tem em crianças desta característica seu maior alvo.

Nós aqui em terras brasileiras e cariocas, vamos mais longe. Amarramos  crianças em postes e as espancamos em público sem nenhum pudor. Como esquecer o menino Juan de Moraes , de 11 nos, que morava na favela Danon em Nova Iguaçu, e que foi brutalmente assassinado por policiais, teve seu corpo removido do local, mutilado e encontrado na beira de um riacho em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense, área pobre do estado do Rio de Janeiro, e que inicialmente sofreu uma perícia controversa, pois alegaram ser o corpo de uma menina.

Rapidamente a sociedade comprou o discurso da corporação e da mídia de que se tratava de traficante e que portanto, independentemente da idade, não havia muito problema em ser alvo do resultado que tivera ao  supostamente enfrentar a polícia.

Pois bem meus queridos(as) leitores(as), Raquel Lima do Instituto Terra Trabalho e Cidadania, afirma que “o problema do sistema prisional é a prisão”. Isto, porque grande parte das instituições são dirigidas pelas pessoas que compõem esta mesma sociedade, extremamente preconceituosa e conservadora. Mais do que simplesmente a reforma de um sistema ou instituição, estamos diante de um desafio hercúleo, o de transformar profundamente o pensamento e o comportamento de nossa sociedade, antes que seja tarde demais.

“A nossa luta é todo dia. Favela é cidade. Não aos Autos de Resistência, à GENTRIFICAÇÃO e ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!”

*Mônica Francisco é membro da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e Consultora na ONG ASPLANDE.(Twitter/@ MncaSFrancisco)

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