“Conviver com esses grupos foi necessário para a casa não cair” – Airton Michels é muito ruim como secretário da SSP, até hoje

Publicado: 31 de dezembro de 2014 em Uncategorized
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Para o secretário de Segurança na gestão de Tarso Genro, Airton Michels, enquanto existir presídio superlotado, o tráfico persistirá. Mas ressalta que o governo fez a sua parte.

Como o senhor reage a está a farra da cocaína no Central?

Desde antes de assumir a secretaria, sempre disse que o maior problema da nossa segurança pública era o Presídio Central. Isso que foi visto não acontece só hoje, nem há quatro anos. É de muitos anos, e não surpreende em um lugar onde as facções criaram seus espaços e há superlotação que inviabiliza o controle pelo Estado.

A desocupação do Central já foi iniciada. É a solução?

Estamos acabando com o maior problema primeiro. É claro que outras prisões também estão superlotadas, mas vamos entregar 99% das obras prontas em Canoas, uma nova prisão em Venâncio Aires e mil vagas em Charqueadas e Montenegro. Hoje, temos 3,6 mil presos no Central. Eram mais de 5 mil quando assumimos. Dobramos o efetivo da Susepe para acabar com a péssima condição de trabalho que damos à Brigada Militar no Central. Não creio que o poder das facções seja extinto imediatamente, mas com presídio novo e sem superlotação, o Estado terá condições de agir.

Por que as facções exercem tanto poder no Central?

A existência de facções é realidade em qualquer presídio do mundo. No Central, essa convivência com esses grupos foi necessária para a “casa não cair”, como se diz. Infelizmente, esse poder e as relações do tráfico fortalecem a produção do crime. Há relação direta com a criminalidade nas ruas. Eles podem voltar a firmar parcerias nas novas cadeias, mas dominam se há condições precárias.

O tráfico é uma das fontes de lucro e dominação das facções. Há verdadeiros mercados lá dentro, a partir da cantina, que gera lucro até ao Estado. Como ficará isso nas novas cadeias?

Os novos presídios não terão cantinas nem espaço para criação delas. Era algo que não poderíamos acabar de uma hora para outra no Central, até mesmo porque o Estado não teria condições de administrar a situação em um ambiente superlotado. Ali, a cantina é algo necessário. O atual modelo, com cobrança de um aluguel, a partir de licitação, de forma lícita, foi o meio encontrado pela Susepe para acabar com muita corrupção nas cantinas.

Como é feito o controle da corrupção de agentes públicos para prevenir a entrada de drogas e celulares na cadeia?

Sempre foi prioridade combater a corrupção. Fortalecemos a corregedoria da Susepe e tivemos muita resistência dos agentes, mas atuamos, inclusive com mudança nas direções de algumas prisões. No Central, a BM não é corrupta. Nesse período, foram presos, no máximo, três PMs comprovadamente envolvidos com o tráfico.

EDUARDO TORRES

comentários
  1. Luis disse:

    O ESTADO POSSUÍA SECRETÁRIO DE SEGURANÇA? ESTÁ AÍ UMA COISA QUE EU NÃO SABIA!

  2. Tiago disse:

    Uma observação sobre as cantinas: Não adiantam licitações e cobranças de alugueis do Estado para aqueles que adquirem a concessão de uso das cantinas, pois, nos interiores de galerias superlotadas, os apenados líderes de galerias, compram por aquele determinado preço e revendem ao restante da massa carcerária por preços mais abusivos, ou seja, acabam de qualquer forma ganhando muito dinheiro no interior das Cadeias. Enfim, dentre os vários problemas, esse também passa pela superlotação, situação de descontrole geral que geram sensação de que tudo está “controlado”.

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