Presídio Central flagrante de descontrole, com reação à farra

Publicado: 31 de dezembro de 2014 em Uncategorized
Tags:, , , ,
APÓS VÍDEO MOSTRAR detentos fazendo fila para consumir cocaína em um dos pavilhões, direção da cadeia identificou seis envolvidos, isolou-os dos demais e, como punição, vai requisitar a transferência deles. Hoje, oito das 25 galerias da prisão são comandadas por facções ou grupos organizados

Se o Natal foi de festa com cocaína no Pavilhão B do Presídio Central, em Porto Alegre, o Ano-Novo deve ser diferente para, pelo menos, seis envolvidos no vídeo obtido pelo Diário Gaúcho e divulgado na segunda-feira mostrando presos fazendo fila para consumir a droga na penitenciária.

Conforme o major Guatemi de Souza Echart, que responde interinamente pela direção do Central, o autor do vídeo e outros cinco que aparecem nas imagens foram identificados e isolados. Os nomes deles não foi divulgado. Como punição, segundo o major, deverão ser transferidos nos próximos dias:

É de praxe que o preso que se envolva em um novo crime, dentro do presídio, seja transferido.

Até a noite de terça-feira, porém, a Vara de Execuções Criminais (VEC) da Capital não havia recebido os pedidos de transferência.

Assim que o vídeo veio a público (na segunda-feira), conseguimos identificar o preso que filmou e recolher o celular com o qual foram feitas as imagens. Amanhã (nesta quarta-feira), será aberto inquérito para apurar todas as questões que envolvem este episódio. Então, encaminharemos o pedido da remoção dos presos. Todos responderão por associação ao tráfico e apologia ao crime – destacou Guatemi.

A farra do pó mostrada no vídeo teria sido antecedida por uma churrascada. A direção do Central não descartou a possibilidade e disse tratar como “normal” a realização de churrascos nas galerias.

Os presos compram carne para comer. É um dos materiais vendidos na cantina. E assam, pois preso não come carne crua. Mas essa festa toda que estão noticiando é fantasiosa – disse o major.

Em 2013, o Diário Gaúcho revelou um esquema de cantinas piratas no Central. O mercado oficial vende desde refrigerante até produtos básicos, mas foi sobreposto por um sistema dominado pelas facções. Por isso, presos comuns não vão à cantina. Quem vai são os “cantineiros”, designados pela facção para fazer todas as compras da galeria. Depois, tudo é vendido por preços bem mais altos.

COM SUPERLOTAÇÃO, CELAS FICAM ABERTAS

Devido à superlotação crônica do Central, as celas ficam abertas em tempo integral. Isso permite aos presos circularem livremente pelo interior das galerias, nas quais a guarda não entra.

Para que a ordem seja mantida, os detentos se organizam nas chamadas prefeituras – grupos de presos ou líderes de facções que representam e controlam as galerias, com o reconhecimento da administração e do Judiciário. Cada prefeitura tem em torno de 30 presos, que dividem funções – são os chamados “embolados”.

Das 25 galerias do Central, oito são ocupadas por facções ou grupos organizados. Segundo o juiz da VEC Sidinei Brzuska, a maioria dos líderes é conhecida (veja na página ao lado). As exceções são os Bala na Cara, que eram liderados por um detento chamado de Raimundo, que foi transferido para Charqueadas, e Os Abertos, cujo líder na 1ª galeria do Pavilhão B, conhecido como Robinho, trocou na segunda-feira o regime fechado pelo semi-aberto e deixou o Central. A direção foi avisada do nome do sucessor, mas não o divulgou.

CRISTIANE BAZILIO / RENATO DORNELES /ZH

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s