Alerta na Capital. Roubo de carros em ritmo acelerado

Publicado: 11 de fevereiro de 2015 em Uncategorized
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Em Porto Alegre, são registrados 19 casos por dia. Proporcionalmente à frota, as taxas são maiores do que as de Rio de Janeiro e São Paulo
O roubo de carros, de 2011 e 2014, entrou em ritmo acelerado, exatamente o ‘governicho’ do secretário, Airton Michels, na Segurança Pública

Vejam: http://www.clicrbs.com.br/pdf/17215286.pdf

A tentativa de assalto para levar a caminhonete S10 usada pelo vicel-governador José Paulo Cairoli, no domingo à noite, acendeu com mais intensidade o sinal vermelho: o roubo de veículos anda em ritmo acelerado na Capital. São 19 casos por dia.
A velocidade é tão alta que ultrapassa as taxas das duas maiores cidades do país. Na comparação, proporcionalmente à frota, Porto Alegre pode ser considerada a capital do roubo de carro. Mesmo o Rio de Janeiro, subjugado por quadrilhas de tráfico de drogas, e São Paulo, por facções do crime organizado, não amargam números de tamanha envergadura.
Para se ter uma noção do fenômeno, nos últimos cinco anos, a frota na Capital cresceu 17,4%, enquanto os roubos, no mesmo período, aumentaram mais do que o dobro desse percentual. Embora os emplacamentos em Porto Alegre representem 13,3% de todo os veículos licenciados no Estado, a cidade contabiliza mais da metade dos roubos, 50,4% (há três anos, era 47,7%).
Assim como Porto Alegre, o entorno também é castigado pela ação dos ladrões. Entre os municípios recordistas, a maioria absoluta está situada na Região Metropolitana. O ranking das 15 cidades mais visadas aponta que nesses locais está registrada 40% da frota gaúcha, mas ocorrem nove de cada 10 roubos de veículos no Estado.
Os índices de roubos são mais preocupantes do que os furtos (quando o carro é levado sem o dono perceber) porque envolvem violência. Por causa de dispositivos de segurança, é quase impossível levar um automóvel sem a chave original. Por isso, os criminosos abordam os motoristas, em geral, com arma na cabeça – os casos de roubo suplantam os de furtos em 70%.
É sabido que carro roubado é matéria-prima para diversos outros delitos, motivo da expressão “o crime anda sobre rodas” cunhada pelo coronel da reserva e juiz militar Paulo Roberto Mendes, ex-comandante da Brigada Militar, em 2008.
Os veículos são usados em assaltos a banco, fomentam a receptação, a clonagem e o comércio ilegal de peças. São moeda de troca para drogas, armas e cigarros contrabandeados. Além disso, são uma das principais causas de latrocínio (roubo seguido de morte), média de um caso a cada 15 dias em Porto Alegre. Não bastasse isso, o crime impõe um sobrepeso no bolso dos motoristas, com custos de seguro mais salgados.
LEI DOS DESMANCHES AINDA ENGATINHA
O roubo de veículo virou epidemia em Porto Alegre em 2006. No ano seguinte, atingiu o mais elevado número, quase 8 mil casos, desbancando, pela primeira vez, o Rio de Janeiro como capital nacional dos ladrões de carro. Depois de uma freada em 2010, voltou a acelerar em 2011 e não parou mais de subir.
Nesse meio tempo, autoridades se sucederam prometendo medidas de repressão. Em 2007, foi sancionada pelo governo do Estado a Lei dos Desmanches, com objetivo de controlar as vendas de peças em ferros-velhos. Mas a regra ainda engatinha. Oito anos depois, pouco mais de uma dezena de empresas está credenciada.
Em 2012, nasceu um projeto de instalação de 350 câmeras em 141 pontos da Região Metropolitana, que formariam uma cerca eletrônica, visando fiscalizar o fluxo de veículos e auxiliando na repressão ao crime. Orçado em R$ 20 milhões, o projeto não se tem notícia por onde anda. A Polícia Civil também padece de estrutura. Existe apenas uma delegacia especializada em combate ao crime na Capital. Procurada ontem, a assessoria da Secretaria da Segurança Pública informou que se manifestaria sobre o assunto hoje.

JOSÉ LUÍS COSTA / ZH

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