O diretor do Susepe/DESEP, Mario Pelz, fala sobre a fuga de Nego Zu

Publicado: 30 de junho de 2015 em Uncategorized
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Saltou dois muros, e ninguém viu
Depois da fuga e recaptura de detento da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, Susepe avalia o que falhou na prisão que recebe os criminosos mais perigosos do Rio Grande do Sul

A Corregedoria da Susepe começou ontem a fazer levantamentos que poderão explicar onde estão as falhas que resultaram na fuga do detento Carlos Evair Souza da Silva, o Nego Zu, da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), no final da tarde de sábado e recapturado um dia depois.

Durante entrevista ontem pela manhã, o diretor de segurança da Susepe, Mario Pelz, admitiu ao menos um dos aspectos que pode ter colaborado com a escapada de Nego Zu:

O número de agentes monitorando os pátios onde estavam os presos no momento da fuga não era o ideal.

Segundo ele, o melhor seria que cada pátio fosse monitorado por um agente penitenciário a partir de uma guarita. No sábado, por volta das 18h, apenas um agente guarnecia dois pátios. E, no caso da fuga, a falta de um servidor pode ter sido determinante. Usando cordas artesanais, o detento pulou dois muros, superou cercas de arame farpado e rastejou sobre o telhado de um dos pavilhões antes de chegar à rua. Parte desse trajeto, a partir do pavilhão A, não está no alcance das câmeras de monitoramento.

Nos trechos em que as câmeras puderam flagrar Nego Zu fugindo, as imagens não teriam ficado suficientemente claras.

A visibilidade naquele horário já estava bastante prejudicada. Não acredito em falha ou comprometimento dos agentes – argumenta Pelz.

Fazia pouco mais de uma hora que a última visita havia deixado o local e 36 presos do pavilhão A permaneciam no pátio. O atraso para voltarem às celas está sendo investigado.

Não descartamos que tenha sido uma demora intencional dos presos para facilitar a fuga – aponta o diretor.

A Susepe pretende, a partir do resultado da investigação interna, avaliar aspectos como a qualidade das câmeras de monitoramento que atualmente são usadas na Pasc.

Não estamos questionando a atuação dos agentes peniten- ciários, não detectamos qualquer falha. Ao contrário, o empenho de todos nas buscas foi exemplar – justifica Pelz.

Foragido ficou em rio submerso até o pescoço

A fuga demorou 13 minutos. Logo na saída da Pasc, Nego Zu foi visto por um agente penitenciário que controlava a portaria. Ele chegou a atirar contra o detento, sem sucesso. A partir dali, uma força-tarefa com cem membros foi organizada pela Susepe.

Agentes do Grupo de Ações Especiais (Gaes) passaram a noite em buscas por matagais num terreno alagadiço e encontraram roupas do fugitivo. Após a saída da Pasc, ele teria entrado no Instituto Penal de Charqueadas e conseguido escapar com roupas novas. Dali, cruzou a mata. Em depoimento, Nego Zu disse que entrou no Rio Jacuí, ficando submerso até o pescoço, para escapar das buscas.

Tínhamos a certeza de que ele não havia conseguido deixar a cidade. Então aliviamos o cerco para que saísse do esconderijo. Funcionou – comenta o coordenador do Gaes, Juliano Moro.

Nego Zu foi flagrado em um parque de Charqueadas por um agente penitenciário de folga, às 18h30min de domingo. Foi imobilizado e recapturado.

Uma fuga para “dar um tempo para a mente”. Foi assim que Nego Zu definiu, em depoimento à DP de Charqueadas. Com 98 anos de condenações por homicídio, latrocínio (roubo com morte), porte ilegal de arma e 10 assaltos, até agora ele cumpriu apenas três anos de cadeia.

Ele alegou ter usado da sua destreza e experiência, já que tem uma fuga do Presídio de Osório em seu histórico, para escapar da prisão – aponta o delegado Rodrigo Machado Reis.

O inquérito policial vai apurar possíveis falhas na guarda externa da Pasc, feita pela Brigada Militar, e na interna, de responsabilidade da Susepe. Nego Zu ocupava o mesmo pavilhão no qual, no mês passado, foi executado o traficante Cristiano Souza da Fonseca, o Teréu. Para o delegado, apenas uma coincidência.

Não estava entre os envolvidos naquele crime. Ele não relatou qualquer ameaça que o tenha levado a fugir – diz.

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